Eu sou o dr. Carlos Necchi, otorrinolaringologista em Guarantã do Norte, e uma das queixas que mais vejo no consultório é nariz que não respira bem. Às vezes o paciente chega dizendo “é rinite”, às vezes diz “é sinusite”, às vezes só fala “meu nariz vive entupido”. 

A verdade é que nariz, seios da face e respiração têm tudo a ver: quando um não está bem, o outro sofre. Por isso eu sempre avalio o nariz de forma completa, como histórico, crises, exame físico e, quando precisa, exames complementares, para decidir se é caso de tratamento clínico, de controle contínuo ou até de cirurgia, como no desvio de septo ou na sinusite crônica.

O objetivo desta página é justamente esse: explicar o que mais aparece no consultório, mostrar quando vale consultar o otorrino e deixar claro que dá, sim, para respirar melhor. Não é normal viver com o nariz entupido o ano todo.

Principais condições tratadas

No nariz, eu atendo principalmente rinite alérgica, sinusite (aguda e crônica), desvio de septo e sangramentos nasais recorrentes. Em muitos casos, o paciente tem duas ou três dessas coisas ao mesmo tempo, por exemplo, rinite que faz o nariz inchar, o que piora o desvio, o que favorece a sinusite. Por isso, tratar só um pedacinho não resolve. Eu monto o plano inteiro.

Rinite alérgica

A rinite alérgica é aquela inflamação da mucosa do nariz que aparece com espirros, coceira, nariz escorrendo e nariz entupido. É o paciente que chega dizendo “é só mudar o tempo que ataca”, “quando lavo a casa começo a espirrar”, “no ar-condicionado piora”, “de manhã cedo é terrível”. A rinite não é perigosa, mas incomoda muito e, se não for tratada, pode virar sinusite repetida, otite e até ronco.

O tratamento que eu faço não é só “tome um antialérgico”. Eu explico sobre lavagem nasal, sobre controle de ambiente (poeira, ácaro, cortina, bichinho de pelúcia, ventilador sujo), sobre uso correto do spray nasal e, quando a crise está forte, prescrevo a medicação certa. Em quem tem rinite o ano inteiro, a gente faz tratamento de manutenção. A meta é ter nariz funcionando todo dia, não só quando espirra.

Sinusite crônica

A sinusite acontece quando os seios da face inflamam e não drenam bem. Na forma aguda, normalmente vem depois de gripe: dor na face, secreção amarelada, sensação de pressão, às vezes até dor de dente. Já a sinusite crônica é aquela que nunca melhora totalmente: a pessoa respira mal, sente a cabeça pesada, vive com secreção, às vezes com tosse persistente, e todo resfriado vira crise.

Quando eu desconfio de sinusite crônica, avalio o nariz com calma e, se necessário, peço exame de imagem (como tomografia). Por quê? Porque muita sinusite crônica está ligada a rinite mal tratada, desvio de septo, pólipos nasais ou a uma drenagem ruim dos seios da face. 

Em alguns casos, o tratamento clínico bem feito resolve; em outros, a cirurgia endoscópica nasal ajuda muito, porque ela abre as vias de drenagem e diminui as crises. A indicação é sempre explicada.

Desvio de septo

O desvio de septo é uma causa muito comum de nariz entupido. O septo é aquela “parede” que divide o nariz em duas partes. Quando ele está torto, o ar passa mal de um lado (ou dos dois) e o paciente vive respirando pela boca, acorda com a garganta seca ou ronca. Tem gente que nem percebe que tem desvio porque sempre respirou assim.

O primeiro passo é saber se o desvio realmente está dando sintoma. Tem desvios que aparecem no exame, mas o paciente respira bem e, nesses casos, não há por que operar. 

Agora, se o desvio está causando obstrução, favorecendo sinusite, piorando apneia do sono ou impedindo o uso de spray nasal, aí sim a gente conversa sobre septoplastia, que é a cirurgia para corrigir o septo. É um procedimento comum na otorrino e costuma melhorar bastante a respiração.

Sangramentos nasais recorrentes

Sangrar o nariz de vez em quando, em época de muito calor ou ar muito seco, pode acontecer. Mas sangramento frequente, principalmente sempre do mesmo lado, precisa ser avaliado. As causas mais comuns são mucosa ressecada, rinite que faz o paciente cutucar o nariz, pontos de fragilidade dos vasos e desvio de septo fazendo o ar bater forte em um ponto só.

Na consulta, eu examino o nariz, vejo de onde está vindo o sangramento e posso fazer desde orientação de hidratação nasal até cauterização daquele ponto, quando indicado. Em crianças, muitas vezes só de tratar a rinite e hidratar já melhora. O importante é não ficar convivendo com sangramento todo mês.

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Perguntas Frequentes sobre Nariz

Na maioria dos casos, a rinite é uma condição crônica, ou seja, ela pode voltar quando o paciente entra em contato com o que causa alergia (poeira, ácaro, mofo, cheiros fortes). O que fazemos é controle: tratamos a crise e ensinamos o paciente a manter o nariz estável com lavagem, spray e cuidados de ambiente. Quando o tratamento é seguido, muita gente passa meses sem crise. Então, mesmo não tendo “cura definitiva”, dá para viver muito bem com rinite.

A sinusite vira crônica quando os sintomas duram mais de 12 semanas ou quando o paciente tem várias crises ao ano sem voltar ao normal entre elas. Sinais de alerta: secreção que não vai embora, nariz entupido quase todo dia, dor/pressão na face e tosse persistente. Nesses casos, é importante investigar se há desvio de septo, pólipos, alergia associada ou fator anatômico que está mantendo a inflamação. O tratamento costuma ser mais longo e, em alguns casos, cirúrgico.

Não. Só opero desvio de septo quando ele realmente atrapalha a respiração ou causa outras doenças (sinusite de repetição, ronco, apneia, dificuldade de usar spray). Se o paciente tem um desvio leve e respira bem, não há indicação de cirurgia. Agora, se vive respirando pela boca, acorda cansado e já tratou rinite sem melhorar, aí sim vale conversar sobre septoplastia.

As causas mais comuns são ressecamento da mucosa (muito comum em clima seco e quem usa muito ar-condicionado), catarro ou rinite que fazem o paciente mexer no nariz, desvio de septo que concentra o fluxo de ar em um ponto e, em crianças, vasos mais superficiais. Em alguns casos, medicamentos e problemas de coagulação também podem favorecer. Por isso, quando o sangramento é repetido, o ideal é o otorrino examinar o nariz por dentro e ver se há algum vasinho que precisa ser cauterizado.

Podem, e têm bastante. Crianças que vivem com o nariz escorrendo, que respiram pela boca, que roncam ou que têm otite com frequência quase sempre têm rinite alérgica associada. Quando a rinite não é tratada, a secreção fica parada e pode virar sinusite. Nessas situações, eu trato o nariz, oriento os pais sobre limpeza e, quando há aumento de adenoide/amígdalas, avalio se precisa de outro tipo de tratamento. Criança não tem que viver com o nariz entupido.

Sim, quando há indicação. Faço septoplastia (para desvio de septo), cirurgia endoscópica dos seios da face (para sinusite crônica, pólipos ou problemas de drenagem) e procedimentos para controle de sangramento quando o tratamento clínico não resolve. A indicação é sempre conversada antes, mostrando o que se espera de melhora e como é o pós-operatório.

De forma simples:

  • Rinite costuma dar espirros, coceira, nariz escorrendo e entupimento que varia ao longo do dia;
  • Sinusite costuma dar secreção mais grossa, dor/pressão na face, dor de cabeça, tosse e sensação de que o nariz não drena.

Mas uma pode puxar a outra. Por isso, quando o nariz entope todo dia ou tem secreção com frequência, vale consultar o otorrino para ver se não há rinite + desvio de septo + sinusite juntos.

Pode, e muitas vezes melhora bastante. Quem tem nariz entupido dorme pior, ronca mais e acorda cansado. Tratar rinite, sinusite e desvio de septo ajuda o ar a passar melhor e isso reduz ronco e, em alguns casos, ajuda até no controle da apneia do sono. Quando eu avalio ronco e sono, sempre olho o nariz, poisnão adianta só usar aparelho ou CPAP se o nariz não deixa o ar passar.