Eu sou o dr. Carlos Necchi, otorrinolaringologista em Guarantã do Norte, e uma parte importante do meu atendimento é voltada para problemas de sono que têm origem no nariz, na garganta ou na passagem do ar. Muita gente acha que roncar é só “barulho” e que apneia do sono é coisa de quem tem problema cardíaco. Mas não é bem assim. Quem respira mal à noite acorda cansado, tem sono leve, rende menos no trabalho, perde memória, pode ter dor de cabeça e, em alguns casos, aumenta até o risco cardiovascular. Isso tudo porque o ar não está passando direito.

Na otorrino, a gente olha justamente por onde o ar passa: nariz, palato, amígdalas, adenoide, desvio de septo, cornetos aumentados. Se o ar encontra resistência, ele faz barulho (ronco) e, se a resistência é grande, ele chega a parar (apneia). O meu papel aqui é investigar a causa e indicar o melhor tratamento, que pode ser clínico, cirúrgico ou em conjunto com outros especialistas.

Principais condições tratadas

No consultório, eu trato principalmente ronco crônico, apneia do sono e distúrbios respiratórios relacionados ao sono, como obstrução nasal noturna, respiração bucal e sono agitado em crianças. Em quase todos os casos, a pessoa chega porque alguém reclamou do ronco ou porque acorda cansada mesmo dormindo muitas horas. Isso já é motivo para investigar.

Ronco crônico

O ronco é o som produzido pela passagem do ar por uma via que está mais estreita do que deveria. Pode ser por nariz entupido, por desvio de septo, por amígdalas grandes, por palato mais flácido, por língua que cai para trás ou até por excesso de peso. Às vezes é uma soma de fatores.

O que eu faço na consulta é tentar descobrir onde o ar está batendo. Se o nariz está sempre entupido, começo por ele: tratar rinite, sinusite e desvio de septo ajuda muito a dormir melhor. Se o problema está mais na garganta, avalio amígdalas, palato e base de língua. 

Em quem tem sobrepeso, oriento também controle do peso porque isso impacta demais o ronco. E sempre pergunto para o cônjuge/companheiro (quando vem junto): “o ronco é toda noite? Fica sem respirar?”. Isso ajuda a diferenciar ronco simples de algo mais sério.

Ronco não é só incômodo. Ele atrapalha o sono de quem ronca e de quem dorme ao lado. E pode ser o primeiro sinal de que a via aérea está ficando mais estreita.

Apneia do sono

A apneia do sono acontece quando a respiração para por alguns segundos enquanto a pessoa dorme. Isso pode acontecer muitas vezes por noite, o que faz o cérebro acordar toda hora e impede o sono profundo. 

A pessoa, às vezes, nem percebe que está parando de respirar, mas acorda com cansaço, boca seca, dor de cabeça, irritação e sonolência diurna. Às vezes acorda engasgando. E, em alguns casos, o parceiro diz: “você parou de respirar”.

Na otorrino, eu investigo se há obstrução mecânica: desvio de septo que não deixa entrar ar, cornetos muito aumentados, amígdalas/adenoide grandes, palato longo, retrognatia. Quanto mais difícil a passagem do ar, mais o organismo precisa fazer força para respirar, e isso aumenta o colapso da via aérea.

A apneia não é um problema só de sono. Ela aumenta o risco de pressão alta, arritmia, infarto, AVC, resistência à insulina e até perda de memória. Por isso, sempre que eu suspeito de apneia, oriento investigar. Dependendo do caso, peço polissonografia ou estudo do sono e, com o resultado, defino o tratamento. 

Em alguns casos será com CPAP; em outros, com cirurgia nasal / faríngea; em outros, com aparelho intraoral. Mas eu sempre começo vendo se o nariz está respirando bem,  se não estiver, trato primeiro.

Distúrbios respiratórios relacionados ao sono

Nem todo problema de sono é apneia. Tem gente que não ronca alto, mas não dorme bem porque respira pela boca. Isso acontece muito em quem tem rinite alérgica que entope o nariz à noite, em quem tem desvio de septo, em quem tem amígdalas muito grandes (crianças principalmente) ou em quem tem refluxo que irrita a garganta e faz tossir à noite.

Em crianças, isso é ainda mais importante: criança que ronca, baba no travesseiro, dorme de boca aberta, tem sono agitado ou faz muitas otites deve ser avaliada. Às vezes o problema está na adenoide aumentada ou nas amígdalas. Melhorar a respiração dessa criança melhora sono, apetite, concentração e até comportamento.

 

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Perguntas Frequentes sobre Sono

O ronco é causado por estreitamento da via aérea durante o sono. Pode ser por nariz entupido, por flacidez da musculatura da garganta, por aumento das amígdalas/adenoide, por sobrepeso, por dormir de barriga para cima ou por consumo de álcool à noite. Quando o ar passa por uma passagem estreita, ele vibra os tecidos e faz o barulho. Meu trabalho é descobrir qual é o ponto de obstrução e tratar.

Não. Dá para ter ronco sem apneia e dá para ter apneia com pouco ronco. O ronco simples é só o barulho da passagem do ar; a apneia é quando a respiração realmente para. O que acontece é que muita gente que ronca forte, com pausas, cansaço e sonolência diurna acaba tendo apneia também. Por isso, quando o ronco é diário, alto e com pausas, precisamos investigar.

A apneia do sono não tratada pode causar:

  • Cansaço e sono durante o dia;
  • Diminuição da concentração e da memória;
  • Aumento da pressão arterial;
  • Maior risco de arritmias cardíacas;
  • Aumento do risco cardiovascular (infarto/AVC);

Alterações metabólicas.
Além disso, a pessoa pode dormir no volante, ter irritabilidade, queda de desempenho e até depressão. Por isso é uma condição que merece atenção.

Primeiro eu avalio o paciente no consultório: histórico de ronco, pausas, acordar cansado, boca seca, dor de cabeça de manhã. Depois examino nariz, orofaringe e laringe para ver se há obstrução. Quando há suspeita de apneia, o exame padrão é a polissonografia (o estudo do sono), que pode ser feita em laboratório ou em alguns casos no próprio domicílio, dependendo da estrutura disponível. Com esse exame eu descubro se há apneia, a gravidade e qual o padrão. A partir daí, escolho o tratamento.

Não sempre. O CPAP é um excelente tratamento, principalmente para apneias moderadas e graves, e é o padrão em muitas situações. Mas há casos em que melhorar o nariz, tratar rinite, fazer cirurgia de septo, reduzir amígdalas, perder peso ou usar aparelho intraoral já ajuda muito. Em crianças, muitas vezes só de tratar adenoide/amígdalas o ronco desaparece. Então eu não começo dizendo “vai ter que usar CPAP”. Eu começo dizendo: “vamos ver por que você está parando de respirar”.

Sim, e bastante. O excesso de peso aumenta o volume de tecido ao redor da via aérea e dificulta a passagem do ar, principalmente quando a pessoa deita. Além disso, o acúmulo de gordura abdominal pode dificultar a expansão do pulmão. Então, quem tem sobrepeso e apneia costuma melhorar quando perde peso, e eu sempre oriento isso como parte do tratamento.

Podem. Criança que ronca, dorme de boca aberta, tem sono agitado, baba no travesseiro, faz muitas amigdalites ou otites pode ter aumento de adenoide e amígdalas e isso atrapalha muito o sono. Nesse caso, o tratamento é com otorrino mesmo: avaliamos o tamanho das estruturas, tratamos o nariz e, quando indicado, conversamos sobre cirurgia. Melhorar o sono da criança melhora apetite, crescimento, comportamento e atenção na escola.

Existe, sim, quando há causa anatômica. Se o nariz está muito obstruído por desvio de septo ou hipertrofia de cornetos, podemos operar. Se há amígdalas muito grandes que estão estreitando a via, podemos retirar. Em alguns casos selecionados, há cirurgias de palato. Mas cirurgia não substitui todos os tratamentos de apneia. Ela faz parte de um plano que pode incluir emagrecimento, controle de rinite, CPAP e mudanças de hábito. O que eu faço é mostrar o que a cirurgia pode e o que ela não pode resolver.