Exames que o Otorrino Pode Solicitar

Postado em: 31/12/2025

Exames de otorrino são uma parte natural da minha rotina no consultório. Muita gente chega achando que a consulta vai ser só olhar o ouvido e pronto, mas ouvido, nariz e garganta são áreas pequenas, internas e cheias de detalhes que o olho nu não enxerga. 

Então, para fechar diagnóstico com segurança, seja de rouquidão, zumbido, tontura, sinusite, apneia ou até nódulos vocais, eu posso solicitar alguns exames específicos da otorrinolaringologia. 

Eu sou o Dr. Carlos, do Instituto Necchi Cortez, e vou te explicar quais são os principais, quando peço cada um e por que eles não são “exagero”, e sim parte do cuidado certo.

Por que o otorrino pede exames?

Porque muitos sintomas de ORL se parecem. Um nariz sempre entupido pode ser rinite, pólipo, desvio de septo, sinusite crônica. Uma voz rouca pode ser só esforço vocal, mas também pode ser lesão de corda. 

Um zumbido pode vir do ouvido, mas também pode vir de perda auditiva inicial. Só olhando por fora eu não vejo tudo. Os exames me ajudam a:

  • Confirmar o diagnóstico;
  • Medir o grau do problema;
  • Documentar o quadro (antes e depois);
  • Definir se é caso clínico ou cirúrgico.

Ou seja: exame em otorrino não é para “encarecer” o tratamento. É para evitar erro.

Exames mais comuns que eu posso solicitar

1. Audiometria

É o exame mais conhecido da nossa área. Eu peço audiometria quando o paciente relata:

  • Dificuldade para ouvir;
  • Zumbido;
  • Surdez súbita;
  • Otite de repetição;
  • Uso de medicamento que pode afetar audição.

A audiometria mede o quanto você escuta cada frequência. Ajuda a descobrir se há perda auditiva condutiva (problema de transmissão, como cera, otite, tímpano) ou neurossensorial (problema do ouvido interno ou do nervo). É rápido, indolor e muito útil.

2. Imitanciometria (ou impedanciometria)

Costuma vir junto com a audiometria. Ela mostra como está o tímpano e o ouvido médio. Se há líquido, se o tímpano está duro, se a tuba auditiva está funcionando. 

Em criança com ouvido sempre cheio ou em adulto com sensação de ouvido tampado, esse exame ajuda muito.

3. Videolaringoscopia

Esse é o que eu mais uso para voz e garganta. É uma filmagem das cordas vocais. Com ele eu vejo:

  • Inflamação de laringe;
  • Nódulos, pólipos, edemas;
  • Refluxo chegando na laringe;
  • Alterações de movimentação das pregas vocais.

É o exame padrão quando o paciente diz: “minha voz não volta”, “fico rouco todo dia”, “falo e falha”, “fuma há anos”. A videolaringoscopia pode ser feita pelo nariz (é a forma mais comum) e, quando bem feita, dura poucos minutos.

4. Nasofibroscopia / nasoendoscopia

Aqui eu entro pelo nariz com uma fibra bem fina e consigo ver fossas nasais, adenoide, rinofaringe e abertura da tuba. Peço quando:

  • A criança vive resfriada e ronca;
  • O adulto tem rinite que não melhora;
  • Quero ver se há pólipos;
  • Preciso avaliar ronco/apneia pela parte alta.

A nasofibroscopia mostra coisas que o exame físico simples não mostra, como pólipo escondido lá atrás, hipertrofia de adenoide e alterações anatômicas.

5. Endoscopia nasal rígida

Parecida com a nasofibro, mas com ótica rígida (imagem ainda mais nítida). Uso muito para pólipos, pós-operatório de nariz e avaliação detalhada de seios da face.

6. Exames de imagem (TC de seios da face, RNM)

Nem todo mundo precisa, mas quando suspeito de sinusite crônica, complicação, pólipos múltiplos, alteração anatômica importante ou problemas do ouvido interno, posso pedir tomografia ou ressonância. É complementar.

7. Polissonografia

Quando o paciente tem ronco, apneia do sono, pausas respiratórias, sono não reparador ou sonolência diurna, eu posso pedir polissonografia. 

Ela não é um exame “do nariz”, mas é fundamental para o otorrino definir se a apneia é leve, moderada ou grave e qual caminho de tratamento seguir.

8. Testes vestibulares

Para casos de tontura, vertigem, suspeita de labirintite ou enxaqueca vestibular, posso solicitar exames do sistema vestibular. Eles mostram como o ouvido interno está funcionando e se a tontura é realmente de origem otoneurológica.

Videolaringoscopia, audiometria, nasofibroscopia: quando cada uma entra

Como você colocou na pauta, esses três são praticamente o trio do consultório.

Videolaringoscopia

  • Rouquidão > 15 dias;
  • Dor ao falar;
  • Tosse crônica que não passa;
  • Risco ocupacional (professor, cantor, locutor);
  • Suspeita de refluxo na laringe.

Audiometria

  • Zumbido;
  • Perda auditiva;
  • Otite frequente;
  • Exposição ao ruído;
  • Acompanhamento de idoso.

Nasofibroscopia

  • Sinusite recorrente;
  • Pólipo;
  • Criança com respiração oral;
  • Ronco;
  • Avaliação pré-cirúrgica de nariz.

Na prática, eu combino: às vezes peço audiometria + nasofibro na mesma fase de investigação, porque o paciente tem queixa de ouvido e de nariz.

“Mas doutor, por que não dá para ver tudo só na consulta?”

Porque a anatomia de ORL é cheia de curvas, dobras e cavidades. O que você vê com o abaixador de língua e a luz de cabeça é uma parte. Para ver atrás do nariz, precisa de fibra. Para ver corda vocal, precisa de vídeo. 

Para medir audição, precisa de cabine. E mais: muitos sintomas são funcionais, e a pessoa tem dor de garganta por refluxo, rouquidão por mau uso de voz, rinite por alergia. O exame registra isso e me permite acompanhar depois.

Perguntas Frequentes

1. Os exames doem?

A maioria não dói. Pode ser incômoda. Videolaringoscopia e nasofibroscopia podem dar vontade de espirrar ou pigarrear porque passam pelo nariz, mas a gente costuma usar spray anestésico e o exame dura poucos minutos. 

Audiometria não dói. Impedanciometria não dói. Os exames de imagem também não. Quando há procedimento mais sensível, eu sempre explico antes.

2. Como se preparar?

Depende do exame. Para exames por via nasal (nasofibro, vídeo), o ideal é não vir com o nariz entupido de secreção e avisar se tem alergia a anestésico. Para audiometria, o melhor é chegar sem cera em excesso e evitar chegar logo depois de exposição a som alto. 

Para polissonografia, seguir as orientações do laboratório. Se for tomar remédio no dia, avise, alguns medicamentos podem interferir em exame vestibular.

3. Todos os exames são feitos no mesmo dia?

Nem sempre. Alguns faço na hora, no próprio consultório. Outros (como polissonografia, TC ou exames vestibulares mais completos) são feitos em serviço parceiro. O importante é seguir a sequência que eu passo, porque ela não é aleatória.

4. Plano de saúde costuma cobrir?

Na maioria dos casos, sim, principalmente audiometria, laringoscopia e exames de imagem quando bem justificados. Procedimentos muito específicos podem depender do convênio. Sempre recomendo consultar o plano com o pedido em mãos.

Conclusão – Exame certo, diagnóstico certeiro

Muita gente acha que exame de otorrino é “frescura” ou “aparelho caro”, mas, na verdade, é o que me permite enxergar o que está causando o seu sintoma

Quando eu faço uma videolaringoscopia, eu sei se a rouquidão é só esforço ou se tem lesão. Quando eu faço nasofibroscopia, eu sei se a sinusite volta porque há pólipo. 

E quando eu faço audiometria, eu sei o quanto o zumbido está ligado à perda auditiva. Então, se eu te pedir um desses exames, não é para complicar: é para fazer o que o otorrino tem de melhor, diagnóstico preciso e tratamento direcionado.