Sinusite Alérgica: Diagnóstico e Tratamento com Otorrino
Postado em: 04/12/2025
Sinusite alérgica é aquela sinusite que não nasce de uma gripe forte nem de uma crise pontual, mas de um nariz que já vive inflamado, quase sempre por rinite e por contato diário com poeira, mofo e, principalmente, ácaros.
É muito comum eu atender aqui no Instituto Necchi Cortez pacientes que dizem: “doutor, todo mês tenho sinusite”, e quando vou ver de perto não é uma infecção nova toda vez, é um nariz alérgico que vive inchado e acaba fechando a drenagem dos seios da face.
O resultado é o mesmo: dor, pressão, secreção, cansaço. A diferença é que dá para controlar quando tratamos a causa.
Quero te explicar como eu faço esse diagnóstico, como trato e quando penso em imunoterapia com otorrino para esses casos.

O que é sinusite alérgica de verdade?
Quando falo em sinusite alérgica, eu não estou falando apenas de “sinusite que piora na poeira”.
Estou falando de um quadro em que o nariz já tem rinite ativa, ou seja, ele vive entupido, produzindo secreção e reagindo a alérgenos, e isso fecha a comunicação dos seios da face.
Quando essa drenagem não funciona bem, o muco para ali dentro e a sensação é de sinusite constante.
Em muitos pacientes eu identifico sinusite por ácaros: casa fechada, ventilador à noite, quarto com estofado, tapete e travesseiro antigo.
Isso mantém a mucosa nasal inflamada o tempo todo. Se eu não tratar essa base alérgica, o paciente vai voltar.
Sintomas que acendem o alerta para sinusite alérgica
Esses são alguns sintomas que acendem o alerta para sinusite alérgica.
Nariz que não “zera”
O paciente trata, melhora um pouco, mas fica sempre entupido, principalmente de manhã e à noite. Isso é típico de rinite associada.
Dor ou pressão na face recorrente
Ao contrário da sinusite bacteriana aguda, que dá uma dor forte de uma vez, a síndrome alérgica muitas vezes dá desconforto mais leve, mas em vários dias do mês, principalmente na região da testa e maçãs do rosto.
Secreção que varia
Em vez de secreção muito espessa e amarelada, o paciente pode ter secreção mais clara em alguns momentos e mais densa em outros, porque a inflamação vai mudando.
Associação com espirros e coceira
Isso é uma pista ótima: se além da “sinusite” a pessoa tem espirros, coceira no nariz, olhos lacrimejando, isso tem cara de nariz alérgico e não de infecção pura.
Como eu fecho o diagnóstico
O diagnóstico da sinusite alérgica é clínico e otorrinolaringológico. Não é só olhar o nariz de fora. Eu gosto de:
1. Ouvir a história completa
Pergunto quando começam as crises, se tem relação com faxina, colchão, temporada de chuva, ar-condicionado, se alguém na casa também tem alergia. A história entrega o gatilho.
2. Examinar o nariz por dentro
Com o exame do nariz e, quando necessário, com endoscopia nasal, eu vejo se a mucosa está mesmo edemaciada, se há pólipos, se o corneto está muito aumentado e se tem secreção saindo do meato médio (região por onde drenam os seios da face).
3. Avaliar rinite de base
Se o paciente já chega contando que vive com nariz trancado, ronca, dorme de boca aberta e piora com poeira, eu já trato também a rinite alérgica. Se eu ignorar isso, a sinusite volta.
4. Pedir exames quando precisa
Em casos repetidos, em quadro que não responde bem ao tratamento ou quando quero ver anatomia e seios da face, eu peço tomografia de seios da face. Ela mostra muito bem o que está inflamado e se há algo obstruindo.
Tratamento: por que precisa ser combinado
Sinusite alérgica não melhora só com antibiótico. Em muitos casos, nem precisa de antibiótico. O que realmente faz diferença é desinflamar o nariz, controlar o contato com alérgenos e deixar os seios da face drenarem.
1. Corticoide intranasal (spray)
É o tratamento que mais uso nesses casos. Ele reduz o inchaço da mucosa, abre espaço e ajuda a drenagem. Ensino sempre o jeito certo de aplicar para não machucar o septo e para o remédio chegar onde precisa.
2. Lavagem nasal
Ajuda a tirar secreção, poeira, poluente e até um pouco de alérgeno da mucosa. Para quem tem sinusite por ácaros, a lavagem vira hábito diário.
3. Controle ambiental
Eu oriento trocar travesseiro antigo, reduzir tecido no quarto, limpar ventilador, cuidar de mofo e evitar bicho de pelúcia no quarto de quem tem rinite. Muitas crises se reduzem só com isso.
4. Antialérgicos
Podem ser usados por períodos conforme o quadro. A ideia é reduzir a reação alérgica na fase em que o nariz está respondendo demais.
5. Tratar rinite e sinusite juntos
Eu sempre reforço: quem tem sinusite alérgica quase sempre tem rinite mal controlada. Se eu trato só a sinusite, ela volta. Então o plano é conjunto.
E a imunoterapia com otorrino?
Em alguns pacientes, principalmente os que têm sinusite por ácaros repetida, rinite que não fecha e dependem o tempo todo de spray, eu posso discutir imunoterapia.
É um tratamento que atua na causa alérgica, ensinando o organismo a reagir menos ao alérgeno.
Não é para todo mundo, precisa de indicação e acompanhamento, mas em quem se encaixa, quebra o ciclo de inflamação e reduz muito o número de crises.
Quando pensar em cirurgia?
Nem todo caso vai para cirurgia. Mas se o paciente tem desvio de septo importante, conchas muito aumentadas, pólipos ou sinusite crônica refratária, eu posso indicar cirurgia endoscópica ou correção do septo para ajudar a ventilação. Isso não substitui o controle da alergia, mas facilita muito o tratamento.
Quem tem mais risco de sinusite alérgica
- Pessoas com rinite alérgica desde a infância
- Quem mora em ambiente úmido e fechado
- Quem trabalha com poeira, papel, tecido, depósito
- Quem tem asma
- Quem já teve pólipos nasais
- Quem usa spray por conta própria e para errado
Se você se viu em 2 ou 3 desses pontos, vale procurar o otorrino para organizar o nariz.
Perguntas Frequentes
1. Como diferenciar de viral?
A sinusite viral costuma vir junto de um resfriado/gripe, dura poucos dias, melhora sozinha e não fica “indo e voltando” o mês inteiro.
Já a sinusite alérgica aparece em quem já tem rinite, piora com poeira e pode durar semanas, com entupimento e secreção que mudam de intensidade. Outro detalhe: a viral costuma dar mal-estar e febre baixa; a alérgica nem sempre.
2. Exames que o otorrino pede?
Depende do quadro, mas os mais comuns são endoscopia nasal (para ver a mucosa e o local da obstrução) e tomografia de seios da face (para mapear inflamação e anatomia).
Em casos de alergia mais marcada, posso orientar avaliação alergológica para saber exatamente o que está disparando a crise.
3. Sinusite alérgica precisa de antibiótico?
Nem sempre. Se a causa é inflamatória/alérgica, eu trato primeiro com spray, lavagem e controle de ambiente.
Antibiótico entra quando há sinais de infecção bacteriana associada: secreção bem espessa e amarelada, dor mais forte localizada, febre, quadro que piora depois de alguns dias.
4. Imunoterapia resolve mesmo?
Para os pacientes certos, ajuda bastante, porque atua na raiz da alergia. Não é milagre nem tratamento de fim de semana: precisa de indicação, tempo e seguimento. Mas para quem vive com sinusite por ácaros e rinite o ano inteiro, é uma opção que vale conversar.
Conclusão – Nariz que respira todo dia é possível
Sinusite alérgica não é “azar” nem “pegou friagem”. É um nariz que já estava inflamado e começou a descontar isso nos seios da face.
Quando eu trato o nariz inteiro, alergia, ambiente, drenagem e, se preciso, anatomia, o paciente volta a respirar, dorme melhor e para de tomar remédio todo mês.
Se você está vivendo num vai e volta de “sinusite”, marque uma avaliação. Muitas vezes não é um novo problema: é o mesmo problema não tratado na causa. E isso a gente resolve no otorrino.